Sompo aporta R$ 400 mi em seguradoras no Brasil

Thais Folego

O grupo japonês Sompo aportou R$ 400 milhões em capital em suas duas subsidiárias brasileiras, as seguradoras Marítima e Yasuda, para apoiar o crescimento das companhias no país. Após comprar o controle da Marítima no começo deste ano, o grupo prepara a integração das operações das duas companhias, mas vai manter as marcas separadas.

“São marcas já consolidadas nos segmentos em que atuam”, explica Kengo Sakurada, presidente do grupo Sompo Japan e Nipponkoa Insurance (NKSJ), que esteve em visita ao Brasil pela primeira vez neste mês. Segundo ele, o mercado japonês está em declínio, “com cada vez menos pessoas, carros e prédios em construção para segurar”. “Então temos que buscar crescimento em outros lugares e escolhemos o Brasil para ser o maior negócio fora do Japão”, afirma.

O grupo atua em 30 países e também fez aquisições recentes na Turquia, Malásia e Singapura. Segundo Sakurada, a meta é que as operações fora do Japão respondam por 10% do resultado do grupo até 2015. Hoje, elas representam 5%.

A Sompo chegou no Brasil há 54 anos, por meio da subsidiária Yasuda, com o objetivo de atender empresas japonesas com operações no país. Em 2009, comprou 50% da Marítima e, em janeiro deste ano, adquiriu mais uma parte das ações da Família Vidigal, fundadora da seguradora, e, com 88% do capital, assumiu o controle da companhia.

A Marítima é uma seguradora mais voltada para produtos de varejo, nas áreas de saúde, automóvel e vida. Já a Yasuda é focada em seguros corporativos. Juntas, as duas companhias têm como meta faturar R$ 2 bilhões em prêmios de seguros este ano, o que equivaleria a um crescimento de 20% em relação a 2012.

Esse é o ritmo de crescimento que a companhia quer manter para os próximos três anos, acima do avanço do mercado, que no ano passado foi de 15%. Em faturamento de prêmios de seguros, o grupo Sompo (Marítima mais a Yasuda) ocupa a décima posição no mercado brasileiro e a meta é chegar à quinta colocação.

Com o aporte total de R$ 400 milhões, o patrimônio da Yasuda sobe para R$ 975 milhões, da Marítima Seguros para R$ 546 milhões e o da Marítima Saúde para R$ 124 milhões.

“Queremos integrar tudo, até a diretoria ao longo do tempo, para buscar eficiência operacional e ofertar produtos mais competitivos”, diz Mikio Okumura, presidente da Yasuda e principal executivo da Sompo no Brasil. Okumura tem uma história peculiar com o país. A primeira vez que desembarcou aqui foi em um intercâmbio há mais de 20 anos para jogar futebol no Juventus, time que hoje atua na terceira divisão do campeonato paulista. Anos mais tarde, veio para comandar a Yasuda.

O principal canal de distribuição das seguradoras continuará sendo o corretor de seguros. Juntas, Marítima e Yasuda têm 15 mil corretores ativos cadastrados. “Estamos focando na venda cruzada. Temos clientes que têm apenas um tipo de seguro, podemos oferecer outros e dessa forma ter uma sinergia na venda”, diz Okumura.

Para aumentar as vendas, a Marítima investiu nos últimos dois anos R$ 100 milhões em uma plataforma operacional integrada que gerencia todo o “back office” e processos de sinistros da seguradora de forma unificada. Falta agora desenvolver a parte de emissão das apólices, em que deve ser investido outros R$ 100 milhões.

FONTE: Valor Econômico

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