Japonesa Sompo quer ser ‘popular’ no Brasil

Seguradora concretiza a aquisição de quase 100% da Marítima Seguros e quer expandir seus negócios, de olho no crescimento da classe C

Já adaptado ao jeitinho brasileiro, o grupo japonês Sompo, controlador das seguradoras Yasuda e Marítima, traçou metas ambiciosas para o País, de olho na classe C. “O Brasil é a bola da vez”, diz Mikio Okumura, presidente da Sompo no País, com sotaque japonês carregado, mas familiarizado com a língua, e o futebol, uma de suas paixões.

Os planos para o grupo no Brasil, colocados em prática este ano, foram bem-sucedidos, segundo o executivo. A companhia concluiu a compra de praticamente 100% da Marítima, que pertencia à família Vidigal. Essa transação foi feita em três etapas começou em 2009, com a aquisição de 50%. No início do ano, abocanhou mais 38% e agora, 11,7%. Os Vidigal ficaram com 0,3%.

Presente no Brasil há mais de 50 anos, por meio da Yasuda, a Sompo fez aporte de R$ 400 milhões neste ano em sua subsidiária no País. Parte dessa cifra foi para a Marítima e o restante na expansão orgânica da Yasuda.

A aquisição da Marítima abriu um importante leque para o grupo para um negócio até então não explorado: seguro saúde. “Com essa aquisição, a Sompo aumentou sua presença geográfica no Brasil. A Marítima não atuava na Região Norte e a Yasuda não estava no Centro-Oeste. As duas empresas, com presença no Sul e Sudeste, vão se complementar”, diz. Embora planeje crescer organicamente, o grupo não descarta aquisições futuras. “O mercado de seguro no Japão está maduro. A companhia busca os países emergentes.”

O Brasil é considerado a menina dos olhos da matriz, uma vez que temuma classe média emergente. No País, a estratégia será trabalhar as marcas Yasuda e Marítima separadamente. A Yasuda no mercado corporativo, com coberturas de riscos para indústrias, e a Marítima, em seguros gerais para pessoa física.

Presente em 30 países, incluindo Europa, EUA e Ásia, o Brasil é o maior em receita do grupo fora do Japão, seguido por Turquia e EUA. Com receita de R$ 2,1 bilhões no País em 2012, a companhia projeta crescer 20% este ano e chegar a uma receita de R$ 3 bilhões em 2014. Hoje é a 9.a no ranking nacional.

Okumura tem fortes expectativas para a Copa do Mundo. E não são voltadas para negócios. ‘Vim para o Brasil pela primeira vez nos anos 80, com 20 e poucos anos. Aprendi português e também joguei futebol no Juventus (tradicional time paulistano, da Mooca)”, lembra. Ele morou mais quatro anos no País, de 1993 a i997,játrabalhando na Sompo.

De volta desde 2009 para cuidar da Marítima, Okumura estreitou de vez os laços com o Brasil e agora é um dos representantes da federação japonesa de futebol por aqui.

FONTE: Jornal O Estado de S. Paulo – 16/12/2013

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