Gestores de fundos contratam seguro para proteger de risco de juro baixo

Aumento da procura está atraindo novas seguradoras para este mercado: depois da Zurich, Ace e AIG, a Argos entra na briga

A disputa no mercado para oferecer seguro a gestores de fundos de investimento deve ficar mais acirrada a partir deste ano no país. Em 2010, a suíça Zurich trouxe para o Brasil a proteção de responsabilidade civil para este público e, em 2011, foi a vez das americanas Ace e AIG ingressarem na modalidade. Agora, novas seguradoras no país querem incluir a apólice na carteira, entre elas a Argo, que tem sede em Bermudas.

Estimativas do mercado apontam para cerca de 50 apólices vigentes para este público, em um universo potencial de 400 gestoras de investimento atuantes no país. A cobertura oferecida é a de responsabilidade civil, conhecida como D&O. A diferença para as apólices disponíveis aos demais profissionais é que, naquela destinada aos gestores, também são cobertas as funções exercidas pelo administrador em uma possível empresa em que o fundo esteja investindo e junto aos órgãos reguladores.

Neste último caso, o pagamento de multas não está incluído, uma vez que a Susep (Superintendência de Seguros Privados) entende que iria contra o poder de punição do Estado. Junto ao regulador, os termos de compromisso são cobertos pelo seguro. Para se ter uma idéia do volume que isso envolve, dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que em 2012, até o dia 17 de dezembro, foram assinados 38 termos de compromisso, contra 83 acusados, em um total de R$ 53,4 milhões.

“Planejamos desenvolver o produto no segundo semestre deste ano, porque neste tipo de risco outros seguros deixam a desejar”, pondera o diretor de linhas financeiras e desenvolvimento de negócios da Argo, Eduardo Pitombeira. “A função de um gestor de fundo é muito peculiar, porque ele tem responsabilidades que vão desde o cotista até a CVM e o Banco Central”, destaca o executivo.

E a responsabilidade dos administradores deve aumentar no Brasil, com os juros convertidos a níveis mundiais. “A diminuição do juro e o aumento da expectativa de vida são desafios para esses profissionais”, diz Álvaro Igrejas, da corretora Willis, que estima deter 15% das apólices do mercado. “Só que no Brasil ainda falta um trabalho de conscientização para a apólice”, afirma.

Uma das pioneiras neste mercado, a Zurich não informa o desempenho do seguro para gestores separado da categoria de responsabilidade civil como um todo, que dobrou em número de contratos em 2012. No entanto, Ana Albuquerque, gerente de produtos de responsabilidade civil, afirma que existe uma ‘certa’ cultura de contratação da modalidade pelas gestoras de maior porte, enquanto aumenta a percepção da necessidade da apólice por parte das independentes. Sobre o potencial do produto, ela diz: “Há um centro de gestoras no Rio e, somente lá, movimenta-se R$ 1 trilhão em recursos.”

Lucas Scortecci, gerente de Produtos Financeiros da AIG Brasil, afirma que a seguradora tem 20 negócios fechados, um avanço de 133% entre 2011 e 2012. Em prêmios, o avanço foi de 30% no período, uma vez que as grandes gestoras com mais de R$ 5 bilhões de ativos sob gestão foram as que buscaram primeiro a proteção, o que significa que o avanço dos prêmios tende a ser menor à medida que se conquista gestores de menor porte. Quanto ao número de cotações de seguro, ele afirma que cresceu 285% no último ano.

“Na procura dos fundos por um investimento de maior retorno, no contexto de queda de juro, o risco é maior e a exposição do gestor também. Com isso, a chance de reclamação contra ele acaba sendo maior”, comenta o executivo. “Este é um fator que aumenta a busca pela apólice, assim como o fato de investidor estrangeiro estar buscando o Brasil e exigindo o seguro para colocar seu dinheiro no gestor local.”

Já Pitombeira, da Argo, afirma que os maiores investimentos na economia brasileira envolvem fundos, desde aberturas de capitais (iPOs) até os movimentos de fusões e aquisições. “É um setor da economia que não deve passar despercebido, se a meta é desenvolver novos negócios.”

Yasuda compra o controle da Marítima

A seguradora japonesa Sompo, através de sua subsidiária no Brasil Yasuda Seguros, firmou acordo para a aquisição de controle acionário da Marítima Seguros.

Segundo o acordo, por umaparticipação adicional de 38,2% em ações ordinárias e 21,8% em preferenciais, a empresa japonesa pagou R$ 200 milhões.

Desta forma, se antes a seguradora do Japão detinha metade das ações ordinárias da Marítima, ao lado da Família Vidigal, agora ela passa a deter 88,2%. Já entre as preferenciais, ela passa de uma fatia de 70,3% para 92,1%.

O grupo japonês está no Brasil desde 1958, com a Yasuda Seguros, mas em 2009 adquiriu participação na Marítima. Até setembro de 2012, últimos dados disponíveis, a Marítima havia emitido R$ 1,2 bilhão em prêmios de seguros, o que representa um avanço de 15,9% frente ao mesmo período do ano anterior.

Negócio

A operação ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores do Brasil, entre eles o Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cadê), a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além das entidades reguladoras do Japão, e a expectativa é de que seja finalizada em maio de 2013.

Depende de autorização dos reguladores, ainda, a permanência de Francisco Caiuby Vidigal para o cargo de presidente do Conselho de Administração e sua nomeação para a diretoria da seguradora.

“O Grupo Sompo tem o Brasil como a principal região de crescimento de seus negócios no exterior e vem desenvolvendo suas atividades neste importante mercado por intermédio de duas empresas: Yasuda Seguros e Marítima Seguros”, diz o comprador, em nota.

“Neste processo de expansão dos negócios brasileiros, entendeu-se como estratégia de crescimento a aquisição dos direitos de gestão da Marítima pelo Grupo, visando elevar ainda mais o valor corporativo da Marítima Seguros a médio e longo prazo.”

Já a Marítima afirmou, também em nota, que se empenhará para proporcionar serviços de alta qualidade, credibilidade e segurança a clientes e corretores.

Fonte: Brasil Econômico

Brasil-Economico-0128