FOCO NA EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Companhias investem em comunicação para ampliar o entendimento dos consumidores sobre os benefícios que os produtos oferecemNa última década, as vendas de seguro de vida na América Latina apresentaram taxas de crescimento médio de dois dígitos. Entre janeiro e novembro de 2013 (último dado disponível), houve um avanço de 17,9G% em relação ao mesmo período de 2012 no ramo de seguros de pessoas, que inclui apólices de vida, acidentes pessoais, seguro-educacional, seguro-viagem e seguro-prestamista, com um faturamento de R$ 23,5 bilhões.$ 23,5 bilhões.Embora a penetração e a densidade tenham melhorado, a demanda por seguros ainda é muito menor que em outras regiões. Em 2012, os gastos per capita com seguro de vida na América Latina foram, em média, de USS120, três vezes menores que a média mundial, que é de US$ 373, revela estudo da Swiss Re. Segundo o relatório, oito importantes mercados latino-americanos (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Porto Rico e Venezuela) exibem uma lacuna de proteção contra mortalidade de US$ 7,2 trilhões.O desafio de ampliar as vendas envolve todas as camadas sociais, seja para apólices em grupo ou nas individuais – tanto para ricos como para não bancarizados. De acordo coma pesquisa de orçamento familiar utilizada pela Aon, consultoria e corretora de seguros,6% dos domicílios no Brasil possuem seguro de vida. Este indicador sobe para20% quando se trata de classes AB e cai para 0,1 % quando se trata de classes D e E. Na classe C, oíndice é de 6% e, no caso de domicílios com cartão de crédito nas regiões Sul e Sudeste, esse índice sobe para 10%. Além desses, outros fatores como idade, grau de instrução e quantidade de dependentes são muito relevantes e decisivos no momento da contratação de um seguro de vida, afirma Christianne Reis, diretora de desenvolvimento de negócios e vendas da Aon.

A falta de cultura do brasileiro em comprar seguro de vida, segundo os executivos do setor, tem origem, entre outras coisas, na deficiência do planejamento financeiro. “O desempenho do seguro de vida está relacionado ao crescimento da renda do brasileiro e à conscientização sobre os benefícios trazidos pelo produto”, observa Samy Hazan, diretor da seguradora Marítima Yasuda.

“Estamos entre os maiores países do mundo em consumo de itens como cosméticos e o décimo sétimo em seguros. Eu mesmo preciso comprar um seguro de vida, pois a longevidade está ai e precisamos nos proteger de diversos riscos, mas sempre fico na dúvida sobre alguma coisa técnica ou o custo-beneficio não me atrai”,comenta o economista Eduardo Gianetti, autor do best-seller “O Valor do Amanhã”.

As seguradoras estãoempenhadas em sofisticar e difundira cultura do seguro de vida. A BBc Mapfre aponta o crescimento das vendas dos seguros educacional e prestamistn, que fazem parte da modalidade. “Temos mais de cem seguradoras no Brasil e 95 ramos à disposição dos clientes. Talvez ainda falte fazer combinações que simplifiquem o entendimento do consumidor em como se protegei’de determinados riscos”, afirma.

A Ieatu direcionou sua estratégia de marketing para a educação financeira. “Fizemos várias pesquisas que nos mostraram que precisávamos construir algo que não fosse ch ato ne m d i fí e i 1”, ex plica Au ia Rebe lo,diretorade produtos da Icatu. Segundo ela, as pesquisas mostram que a educação financeira precisa ser direcionada para todas as camadas da sociedade.

A partir desse diagnóstico, a Icatu adotou várias iniciativas cjue vão de vídeos de dois minutos sobre o funcionamento dos produtos até cursos on-line de educação financeira. “Há uma grande demanda por cursos on-line. Já emitimos mais de 500 mil certificados para pessoas que concluíram a carga horária”, informa a executiva.

A Prudential, pioneira na venda consultiva, oferece capital segurado de R$ 30 milhões para atender à demanda do público de alta renda. “Temos muito a evoluir ainda e

dependemos de unia regulamentação mais flexível para fazer frente à concorrência dos seguros estrangeiros, vinculados aodólarea taxas de juros garantidas”, afinuaThereza Moreno, diretora de atuarial e riscos da Prudential

A Mongeral Acgon, por sua vez, lançou uma loja online para vender seguros de vida. “O objetivo inicial é despeitar a atenção das pessoas sobre como funciona o produto. Preço é o passo seguinte , afirma Rafael Rosas, superintendente de marketing direto da seguradora. Para ele, o consumidor ainda não tem consciência de que um acidente ou uma morte em família é muito pior do que perder um carro. “Mas ele faz o seguro do automóvel porque é ura bem queda s tatus.”

Com conteúdos educacionais, a estratégia tem trazido novos clientes para o mercado, principalmente aqueles que buscam no Google informações sobre como, onde e quando comprar seguro de vida. Cerca de 90% da venda tem sido para pessoas que nunca tinham*com

prado seguro, O produto mais vendido na loja virtual é o que oferece cobertura para doenças graves, com tíquete médio de R$ 70 paia capital de R$ 200 mil.

O aumento da renda impulsionou a venda do seguro-viagem, cujos prêmios aumentaram quase 53% até novembro de 2013, ante um ano atrás, totalizando RS 94,4 milhões. As vendas de contratos de acidentes pessoais mantiveram o ritmo de crescimento dos últimos anos, com R$ 4,4 bilhões até novembro de 2013, alta de 11,95%, segundo os dados da Fenaprevi,

Já o auxílio funeral, que cobre as despesas com o sepultamento no caso de falecimento do segurado, movimentou R$ 331,7 bilhões de janeiro a novembro, expansão de 113% em um ano. Apesar do acelerado crescimento das vendas de seguros de vida e de acidentes, poucos ainda pensam em riscos. “A grande parcela das vendas se referem a seguros coletivos de empresas e vendas por meio de canais alternativos, como lojas de varejo e cartões de crédito, bem como no balcão bancário”, explica Alfredo Lalia, CEO do HSBC Seguros.

As classes C, D e E estão no radar tanto das seguradoras especializadas como das ligadas a grandes instituições fin a nceiras. A Ca i xaSeguros foi uma das que mais se destacaram no seguro-prestamista, com crescimento acima de 200%, informa César Lopes, gerente de produtos de pessoas da seguradora. Segundo ele, todos os segmentos apresentam bom desempenho, desde o microsseguro com va lores de R$ 7 por mês até os mais sofisticados, com capitais na faixa entre R$ fi00 mil e R$ 2 milhões.

A Porto Seguro, maior seguradora de automóvel e residência do Brasil, insiste na educação financeira tanto do corretor como do cliente para alavancar as vendas de seguro de vida. Segundo Marcelo Picanço, diretor-geral, o desafio está em ofertar produtos sob medida para os clientes. Uma das estratégias é atrair os compradores com a cobertura de doenças graves, que garante indenizações do capital seguradoem casos de diagnósticos de doenças graves e até para transplantes de órgãos.

Um ponto em comum na estratégia das companhias é o empenho em vender seguro para as Pequenas e Médias Empresas (PME). Segundo a III Pesquisa Internacional sobre Benefícios para Funcionários da Metl.ife, o segundo e terceiro benefícios mais desejados pelos trabalhadores brasileiros são, respectivamente, seguro de vida e plano odontológico, ficando atrás apenas do plano de saúde. “Oferecer esses benefícios para os colaboradores aumenta os índices de retenção e diminui o turnovei* nas empresas”, diz João Levandowski, superintendente regional da Metl.ife.

A Toldo Marine tem focado o segmento de PMEs. “Existem muitas oportunidades no seguro coletivo, com a atual situação de baixo nível de desemprego no país e o crescimento das PM Es. É mais gente empregada e empregadores cada vez mais conscientes da necessidade de oferecer seguro cie vida para seus colaboradores”, diz Nartcy Rodrigues, diretora de seguros de pessoas.

Valor Seguros G VIDA pg 66 e 67 0611

Valor Seguros H VIDA pg 68 0611

Fonte: Valor Econômico – 10/06/2014