AUMENTO DE ROUBOS JOGA PREÇOS PARA CIMA

Obrigadas a reajustar as tarifas pelo número maior de sinistros, seguradoras sofrem com a queda na venda de veículos e com a não renovação de apólicesCom a simples resposta a uma pergunta, Pedro Pimenta, da Allianz Seguros, deixa mais clara uma questão importante para o segmento de seguro-auto. As pessoas que compraram seu primeiro carro zero km no boom de 2008 -graças aos financiamentos superiores a 48 meses contrataram seguro do veículo’.” “Na maioria dos casos, esse consumidor fez o seguro, mas abandonou a apólice a partir do segundo ano”, explica o diretor de automóveis da seguradora.Os últimos dados oficiais, de 2012, mostram que em torno de 40% dos automóveis novos da cidade de São Paulo representavam o primeiro carro zero da Família. “Essas pessoas fazem seguro no momento da compra, porque a perda do carro financiado no primeiro ou segundo ano acarreta um prejuízo muito significativo”, observa. Depois desse período, aos valores das prestações e da seguradora somam-se o gasto com manutenção e a desvalorização que o veículo sofre ano a ano. Daí a razão para não renovar o seguro. tl’elos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), de janeiro a novembro de 2013 os segurados pagaram às seguradoras (prêmios diretos) R$ 26,5 bilhões no ramo de autos um crescimento de 19,13% sobre 2012. Houve um avanço em relação aos 16,2% registrados entre janeiro e novembro de 2012 sobre 2011. Mas, na avaliação dos executivos do setor, esse pequeno acréscimo tem a ver mais com o aumento do preço do seguro do que com as apólices vendidas, uma vez que o mercado de automóveis desacelerou.

De fato, várias seguradoras vêm reajustando os preços em resposta ao aumento da freqüência de roubo e furto nas capitais do país, principalmente no eixo RioSão Paulo, O quadro preocupa, porque se por um lado as companhias precisam corrigir o valor da apólice, por outro elas não sabem qual é o limite suportável do aumento. Ou seja, se o preço se tornar proibitivo, vai expulsar segurados que estão dentro do mercado hoje.

Nocaso da Allianz, o crescimento de 15% em prêmios da carteira auto da seguradora em 2013 não reflete o aumento da carteira em si, cuja expansão foi de 12%. Pimenta confirma queos prêmios foram puxados para cima principalmente pelo aumento do risco de roubo de veículos nas praças de São Paulo e Rio de Janeiro. “Mas é preciso registrar que em 2012 a Allianz fez um investimento no Brasil bem acima da média de mercado, e aí tivemos um crescimento explosivo da carteira, de 35% em relação a 2011”, diz. Ele antecipa, porém, que a expansão não deverá ultrapassar 10% neste ano.

A Allianz mantém uma carteira equilibrada em termos de perfil do mercado. Cerca de 60% das apólices são de carros médios e grandes, de até no máximo de R$ 150 mil. 0 restante é composto por clientes cujo valor segurado varia entre R$ 35 mil e R$ 40 mil.

Pimenta destaca um detalhe: as mulheres representam metade dos condutores de carros segurados pela companhia, Isso exige um trabalho diferenciado em suas oficinas mecânicas. “Nossos profissionais são treinados para receber tanto homens, que normalmente entendem de carro, quanto mulheres, que supostamente não conhecem o assunto”, diz.

Os mecânicos também são treinados para atender jovens que compraram carro pela primeira vez. Segundo Pimenta, as estatísticas de acidentes, por outro lado, são amplamente favoráveis ao público feminino. “Mesmo quando batem o carro, as mulheres provocam menos danos.”

Com um desempenho acima da média do mercado, a BB e Mapfre registrou um aumento de 21 % em prêmios na carteira de auto. Segundo Jabis Alexandre, diretor de seguro automóvel da BB e Mapfre, a perspectiva é de manter esse ritmo em 2014. Assim como o resto do mercado, a BB e Mapfre acompanhou de perto a variação da freqüência de roubo e furto e também reposicionouseu preço em relação ao aumento do risco. “Outros dois indicadores que avaliamos com rigor são os gastos da operação e os ganhos de produtividade”, ressalta. O controle tem permitido à seguradora manter um bom nível de competitividade c, com isso, segurar b repasse para os custos ocasionados pelos aumentos das freqüências de sinistros.

No caso da Porto Seguro, a carteira de automóvel fechou o ano de 2013 com um crescimentode 15,7%em prêmio retido-com sinistralidadedc 50,8%, ante 54,3% em 2012. “Tivemos um ano melhor que 2012”, afirma Marcelo Sebasüão, diretor de auto da seguradora. “Em 2014, deveremos vender entre 10% e 15% a mais de apó-

lices de seguros de automóveis do que no ano passado.” Preocupada em não provocar gra ndes variações de preço em curto espaço de tempo, a Porto Seguro reajusta as tarifas mensalmente, tanto para cima como para baixo, “Esse método nos proporciona tranqüilidade e mostra eme estamos tratando há muitos meses a questão da freqüência maior de atos criminosos.”

A carteira de automóveis da HDI Seguros, por sua vez, cresceu 25,G% em prêmios emitidos em 2013, atingindo R$ 2,4 bilhões. O número de veículos segurados subiu 7,9%, atingindo 1,42 milhão de unidades. O resultado fez a HDI pular da sexta para a quinta posição no ranking nacional das seguradoras de autos, com 7,1% de participação de mercado. A carteira deauto e ramos elementares da Bradesco Seguros totalizou R$ 1,4 bilhão de prêmios no primeiro trimestre de 2014-sendo que em automóveis a evolução foi de 39% no período.

Com crescimento expressivo em praças fora da capital de São Paulo, a Marítima Seguros registrou R$ 749,6 milhões em prêmios de seguro-auto em 2013. “Foi a carteira que mais avançou, com uma variação de 34% em relação ao ano de 2012”, afirma Adilson Raul Silva, diretor da área na Marítima. Na região Centro-Oeste as vendas aumentaram 52%, já no Sul, a expansão foi de 41%. “Nossas perspectivas para 2014 são as melhores possíveis: alcançar um crescimento de 25% até dezembro.”

Impactada pelo aumento de freqüência de roubo e furto de canos nas capitais do país, principalmente no eixo entre Rio-São Paulo, a companliia precisou fazer ajustes no primeiro trimestre deste ano. Um novo sistema de gestão está sendo implantado para reduzir custos e aperfeiçoar os meios deprecificação. Para Raul Silva, a integração da Marítima com a Yasuda Seguros deve ampliar

o leque de serviços e coberturas para os segurados.

O mercado vê a operação que uniu as duas companhias no mesmo grupo japonês como uma exceção, já que o movimento de fusões e aquisições de seguradoras arrefeceu depois de se manter aquecido nos últimos anos. Para os executivos, a tendência atual é de pouca movimentação nesse sentido. Priscilla Magni, diretora de linhas patrimoniais da Chubb Seguros, não vê sinais de que neste ano possa haver fusões ou aquisições de vulto. “Na verdade, as grandes consolidações já foram feitas, como nos casos entre Porto Seguro e Itaú Uníbanco, Zurich e Santander Brasil Seguros e Banco do Brasil e Mapfre.”

Priscilla informa que o segmento de automóveis da Chubb cresceu 6% cm 2013, menos do que era esperado pela companhia, cujo foco principal são os veículos importados, para clientes de alto poder aq uisitivo. “No ano passado houve uma mudança na cota de importação de cada fabricante esn-angeiro, o que impactou bastante na venda dos veículos de luxo”, diz. Perto de 65% dos veículos segurados pela Chubb estão nessa faixa.

Sobre as perspectivas para 2014, a diretora da Chubb observa que há diferenças grandes de avaliação. Os mais

pessimi stas apostam em crescimento de 4%, outros cravam 10%, e os mais otimistas arriscam 15% ou mais. “São números mui to va riãveis ainda em função da incerteza sobre o crescimento do PIB deste ano”, diz.

Como as vendas de veículos estão em baixa, Priscilla prefere não falar em nome da Chubb, mas arrisca um palpite pessoal de que a evolução do mercado vai ficar entre 7% e 10%, Para ela, este é um ano complicado, pois combina de uma forma concentrada a realização da Copa do Mundo e eleições gerais, o que ajuda a embaralhar as previsões. A diretora da Chubb acredita que o resultado final das eleições terá influencia no cenário econômico do país e deverá impactar os negócios, tanto para o bem como para o mal.

O mercado de seguro de automóveis opera com um produto bastante antigo, que todos conhecem pelo nome, mas poucos sabem como funciona: trata-se do DPVAT, que todo proprietário de carro precisa pagar uma vez por ano. Esta é a sigla de Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, que existe desde 1974. E um seguro decarátersocial que indeniza todas as vítimas de acidentes de trânsito no

Brasil, sem apuração de culpa, seja motorista, passageiro ou pedestre. O seguro DPVAT oferece cobertura para três naturezas de danos: morte, invalidei permanente e reeinbolso de despesas médicas e hospitalares.

Segundo Ricardo Xavier, diretor-presidente da Seguradora Líder-DPVAT, atual responsável pela administração do seguro, em 2013 foram pagas 633,8 mil indenizações, representando um total de R$ 3,22 bilhões. “O valor da indenização é de R$ 13,5 mil no caso de morte, até R$ 13,5 mil nos casos de invalidez permanente, variando conforme o grau da invalidez, e de até R$ 2,7 mil em reembolso de despesas médicas e hospitalares comprovadas.”

Xavier ressalta que o processo para receber o seguro é simples e gratuito. “O próprio cidadão pode ter acesso ao benefício sem que haja a necessidade de ajuda de intermediários ou de advogados, bastando apresentar os documentos no ponto de atendimento escolhido no prazo de três anos a contar da data da ocorrência do acidente”, informa, acrescentando que o pagamento da indenização é feito em até 30 dias após a apresentação da documentação necessária.

Valor Seguros E AUTO pg 58 e 59 0611

Valor Seguros D AUTO pg 56 e 57 0611

Fonte: Valor Econômico 11/06/2014